
Foto: Lidia Ueta
Por Valmir Santos
A certa altura, o próprio Surubim confessa: a espectadora convida é melhor que o palhaço... Claro que Camila, a dita, não é, mas a dupla de palhaços do Circo Navegador deu muita sorte na sessão que abriu a noite de quinta-feira na Cena Breve, que de agora e até o final da Mostra acontece no Teatro Novelas Curitibanas. Também tirou o coelho da toca quando chamou o primeiro “convidado” da noite, o Joelson, clone de Bill Gates.
Ambos, Joelson e Camila, digníssimos representantes da plateia, amarraram involuntariamente o mote performativo para aquilo que a cena Om Co Tô? Quem Co Sô? Prom Co Vô? não conseguiu dizer a que veio em sua concepção artística. Pode-se indagar que os Draetta, Luciano e Gabriel, ou Suburim e Salsicha, este na base percussiva musical ao vivo, estavam ali para dar passagem, como o fazem nas rodas de rua ou picadeiros. Tanta previsibilidade, no entanto, espelha a necessidade de experimentar outras possibildiades - e um encontro como este que acompanhamos seria propício, porque pensado para grupos com estrada, como o Navegador, ou em seus primeiros passos, independe.
Palhaços profissionais como a citada dupla costumam se inscrever com recorrência nas mostras de cenas curtas pelo país, como em Belo Horizonte, no Galpão Cine Horto, ou em Manaus. Só que aos artistas de verve circense, inclinados à cultura popular, assim como aos dramáticos e pós-dramáticos, para resumir, faria bem sair do lugar-comum. Reivindicar espaço em 15 minutos de cena para refestelar no que já se domina de cor e salteado, isso é pouco. Não tem surpresa.
E há palhaços ou clowns em todos os recantos do país que trepam com convicção nesse fio de arame que é instaurar o riso limítrofe com o trágico, máscaras bamboleantes no olho, no rosto, no coração de quem abre o peito corajosamente. Longe de fórmulas, receitas, a perspectiva é a de permitir-se encarar de fato a crise existencial prenunciada no título da cena: onde estou, quem sou, onde vou...
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