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Mostrando postagens de 2011

Circulação

Otavio Linhares e Janaina Matter na cena da Súbita Foto: Lidia Ueta Por CiaSenhas Esta 7ª Mostra Cena Breve – A Linguagem dos Grupos de Teatro entra hoje na etapa de Circulação de quatro cenas pelos municípios de Araucária, Lapa, Paranaguá e União da Vitória. São elas: Meus Olhos Estão Degringolando , da Súbita Companhia de Teatro, de Curitiba; Quintal , da Casca de Nós Companhia de Teatro, de Belo Horizonte; Encostei Minha Angústia no Sol , do Grupo Teatro de Geada, de Curitiba; e Sophia Loren Não É Marlon Brando , da também curitibana Companhia Subjétil. A votação do público, ao final de cada sessão, e a percepção dos debatedores conformam a escolha das quatro cenas que vão circular entre aquelas 16 apresentadas. Algumas produções bem recebidas não tinham disponibilidade para cumprir a agenda noturna na itinerância de hoje a domingo. Caso de Compra de Personagem – Segunda Ação de Classificados , pelo Núcleo Cães Lacrimosos, de Curitiba, e de As Rosas no Jardim de Z

Jornada cena a cena adentro

Por Valmir Santos Em seus sete anos, a Mostra Cena Breve Curitiba - A Linguagem dos Grupos de Teatro construiu um diálogo efetivo com os criadores das artes cênicas mobilizados pela vontade de pesquisa. Todos os núcleos locais inscritos nesta edição, testemunhamos, não participam por tabela. Idem para os trabalhos vindos de outras paragens. Cada um encerra a sua singularidade e argumenta com muita convicção as proposições estéticas e conceituais abraçadas. Melhor: sem perder a capacidade de escutar e enfrentar contradições até mesmo para assumi-las. Outro aspecto relevante é o da recepção: o público não é formado apenas por aqueles vinculados aos criadores, despertados naturalmente pelas pesquisas cênicas, mas também pelo cidadão comum instigado a fruir o teatro com mais curiosidade. O espaço para a reflexão na roda de debates, a cada manhã seguinte, ou os escritos partilhados neste blog são instâncias abertas de afirmação da troca de percepções entre os artistas, os organizado

A terceirização da cena

Dois "auxiliares de personagem" e Massa com jornal Foto: Elenize Dezgeniski Por Valmir Santos Quer em projetos paralelos quer a bordo do coletivo Rimini Protokoll, o suíço Stefan Kaegi tem disseminado, desde a década passada, a incorporação de não-atores em seus trabalhos – performances ou intervenções ao ar livre ou convertidas para o palco. Motoristas de caminhão, ex-policiais, funcionários aposentados da ferrovia, porteiros, enfim, uma galeria diversa já protagonizou suas criações. O núcleo Cães Lacrimosos nos faz lembrar alguns procedimentos daquele europeu em Compra de Personagem - Segunda Ação de Classificados . Profissionais de venda, treinamento pessoal, domésticas e estagiários são chamados por anúncios em jornais para listar atividades a um hipotético “artista impossibilitado de criar” ou mesmo dividir a cena com ele. O “contrato” parece claro, delimita as atividades a 50 linhas, paga R$ 70,00 por cada lista e propõe um roteiro para vir a público no Novelas

As armadilhas da farsa

Atores da Companhia Visceral em Realidades Irreais Foto: Elenize Dezgeniski Por Valmir Santos A investigação da comicidade popular num encontro tomado por anseios formais e reticentes a gêneros seria uma distinção e tanta na última noite da Mostra Cena Breve. Os recursos da farsa identificados no início de Realidades Irreais , porém, logo se revelam frágeis, a despeito do projeto de pesquisa informado pela Companhia Visceral. O sexteto de atores é aguerrido nos tipos que abraça, pisa o espaço cênico a tentar nos convencer da arquitetura visível e invisível do sobrado posto à venda e alvo de todo o quiprocó. E as intenções artísticas não se concretizam. São risíveis, isto sim, a impossibilidade de se visualizar subidas e descidas de escada, o plano do andar de cima, a maneira um tanto atabalhoada como os personagens transitam. Na farsa, é natural que as atuações tangenciem a caricatura. Um meio, não um fim em si mesmo. Eis o limite. Estamos diante de um exercício

Em nome de Machado e Brecht

Atores da Pausa na incursão machado- brechtiana Foto: Elenize Dezgeniski Por Valmir Santos A Pausa Companhia vai a Machado de Assis com causa. Põe em relevo uma crônica de 1895, na qual o escritor interpreta com sua pena um crime brutal, o assassinato de uma bebê pelos pais em terras gaúchas. Sob os códigos do niilismo, o autor questiona a humanidade e sua vocação atávica para gerar dramas como esse. Tudo, é claro, com seu estilo corrosivo e bem-humorado. E o núcleo artístico o reinterpreta neste 2011 em conformidade com procedimentos brechtianos , a narrativa épica que permite ao público distinguir diagnósticos e sintomas de seu tempo. Autor de Si Mesmo adota um sistema despojado para a cena. Valoriza o plano das ideias sem empolá-las. Ao contrário, a retórica do narrador poderia soa pernóstica , porque este é encarnado machadianamente à maneira do filósofo Arthur Schopenhauer . No entanto, o raciocínio é ilustrado a contento . Um retroprojetor exibe balõezinhos de

Olhos d'água

Francis Severino e João Filho, Joaquim e Pedro Fotos: Elenize Dezgeniski Por Valmir Santos Quintal , da Casca de Nós Companhia de Teatro, são duas crianças, a "velha" e a "nova", corresponsáveis por elas mesmas e cocriadores do reino da invenção que lhes permite dobrar a realidade. Dois meninos em busca de um pai que se foi. A esperança de sua volta é o que sustenta o realismo fantástico do mundo que eles carregam por meio de suas roupas, a lata d’água, as bolinhas. Do início ao fim, o espaço nu ganha composições por meio das mãos da dupla que o constrói ou o desmancha. Na primeira sessão no Novelas Curitibanas, as janelas abertas vazam a luz do dia, árvores e prédios. Os atores adentram, fecham as esquadrias e o escuro concorre com os primeiros fiapos luminosos da cena. Estamos pisando um universo pequeno, que cabe na ponta de uma agulha, como informa a imagem inicial da dramaturgia banhada em lirismo rapsódico, aquele que mistura vozes narradoras e diálo