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Fragmentos do discurso protoamoroso

Elisa e Ferreira
Foto: Lidia Ueta


Por Valmir Santos

Certo! captura uma das passagens de Tudo no Timing, a peça do norte-americano David Ives que desembarcou no Brasil em 1999 com o grupo carioca Os Fodidos Privilegiados, em codireção de João Fonseca e Terry O'Relly. É a cena de flerte num café. Noite de sexta-feira. Ela toma chá concentrada no livro que segura. Ele a aborda. A partir desse seminal você-vem-sempre-aqui?, o diálogo fragmenta-se em ires e vires. Talvez seja a cena que mais remete ao título: pede ritmo à dupla de intérpretes para não deixar a peteca cair, inclusive quando contracenam com um garçom tão perto e tão longe que nunca aparece.

A dupla Elisa Carneiro e Luiz Felipe Ferreira possui o frescor juvenil com o pé na vida adulta, o que dá à conversa alguma verossimilhança em seus níveis intelectuais e emocionais, o discurso protoamoroso das intenções igualmente idealizadas e ridículas tal a carta de amor de um Fernando Pessoa. Ou, se se quiser, algo como uma discussão de base sobre os malefícios do amor romântico.

Neste projeto do Teatro Funil, o diretor Fernando Martins marca o aceleramento dos diálogos como se ao ritmo do estalar de dedos. Os atores não aparentam ansiosos na representação física para denotar mudança de registro. As variações são sutis, sem o recurso batido do blecaute, delegando ao público o trabalho de edição. E tudo isso sob o guarda-chuva do humor, também aqui sem que os protagonistas mendiguem a cumplicidade da audiência. A sedução se dá por outros caminhos.

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