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FÁBRICA DE NUVENS

Foto: Elenize Dezgenisk

Texto: Daniel Schenker

Fábrica de Nuvens transita entre o evidente e o nebuloso. Daniel Toledo (acumulando as funções de ator, diretor e autor do texto) assume uma proposta de cena – relacionada, sobretudo, à construção de uma atmosfera asséptica, sublinhada por luminosidade fria. A “questão” temática, em contrapartida, demora a ultrapassar a esfera da insinuação (sem que isto se constitua como falha) até direcionar para a monotonia da vida dos personagens, funcionários de uma fábrica de nuvens(!), que provavelmente dão mais importância ao que dizem ou fazem para disfarçar um cotidiano tão pouco estimulante. “Eu queria virar nuvem. Morrer por um tempo. Depois voltar, achando tudo mais novo, mais doce”, assinala uma das personagens em trecho que inegavelmente sintetiza a fala do autor.

Procedimentos de direção e atuação injetam frescor em Fábrica de Nuvens, trabalho do Núcleo Taz. Apesar de incorrer numa marcação frontal, recurso reincidente nas cenas da Mostra, aqui os atores também assistem à plateia, recortada em focos diversos de luz. E parece haver uma preocupação em buscar uma conexão entre fala e ação, a exemplo da passagem em que a atriz Regina Ganz diz coisas prosaicas enquanto manipula, de modo mecânico, blocos de papel.

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