Pular para o conteúdo principal

Finalizando a 5a Mostra Cena Breve

Queridos colegas,

Finalizando a 5a Mostra Cena Breve comemoramos com imensa alegria tudo o que ela suscitou, aproximou, revelou e possibilitou em 2009.
Comemoramos juntos!
Neste ano a atmosfera de compartilhamento permeou todos os momentos, criou vínculos e estabeleceu diálogos, principalmente pela disponibilidade dos grupos à construção do convívio.
Foram dias intensos desde a oficina, passando pelos encontros diários, os ensaios, a correria da equipe técnica, o convívio com os convidados, os colegas de outras cidades, o encontro com o público, sem contar as festas e em particular as inesquecíveis apresentações em Araucária.
Nesta edição o blog da Mostra se mostrou um importante instrumento de expressão. Ë fato mais que conhecido que a “crítica”, seja em que dimensão humana ela atue , provoca reações passionais. Aqui não foi diferente. Lamentamos que manifestações agressivas, com caráter eminentemente pessoal, pouco contribuíram para o embate de idéias, ao contrário, desviaram qualquer possibilidade de diálogo ao se restringir a conteúdos que se esgotam em si mesmos.
Queremos crer que os comentários hostis sejam herança de uma tradição que definiu o crítico de arte como um inimigo pessoal do artista, ou quem sabe, se deva ao nosso (histórico) pouco exercício de diálogo com a “crítica”.
De qualquer maneira, a organização da Mostra entende que o Blog pode ser sim um lugar em que as divergências e contradições possam servir como impulsos para reflexões sobre o fazer teatral dos grupos.

Agradecemos a todos aqueles que participaram da 1a, 2a, 3a, 4a e 5a Mostra Cena Breve Curitiba – a linguagem dos grupos de Teatro e que junto a CiaSenhas fortalecem este espaço para o teatro em Curitiba.

Nos encontramos em novembro de 2010!!

CiaSenhas de Teatro

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pecinhas para uma tecnologia do afeto – o teste – Teatro de ruído

O grupo Teatro de Ruído apresentou sete pequenas cenas espalhadas pelo espaço do Teatro da Caixa, todas em fase de experimentação – e por isso o subtítulo “em teste”. O espectador fica livre para escolher se assiste a uma cena ou se tenta transitar pelo espaço, para assistir pequenos trechos de duas ou mais cenas. Quem não conhece o grupo fica sem ter nenhum critério pra fazer uma escolha, sem nenhum norte que dê uma sugestão de por onde começar. Muitas pessoas, como eu, acabaram não vendo praticamente nada. Outras, que acompanharam alguma cena do início até o fim, ficaram sem perceber o que as cenas poderiam ter de comum, salvo pelos rastros dos dispositivos cênicos espalhados pelo espaço. Mesmo assim, foi possível perceber uma preocupação do grupo com a visualidade das cenas como partes de um todo, o que se expressava por um tratamento comum nos figurinos: os mesmos materiais, cores e texturas. Por outro lado, não havia uma preocupação com a visibilidade das cenas. É como se o públic...

A construção do amor romântico

por Luciana Romagnolli "Como Desaparecer Completamente", do Ateliê Voador Companhia de Teatro (BA), é outra cena que, em seu desenvolvimento, toma um desvio que a distancia dos estímulos iniciais. Os atores Duda Woyda e Lucas Lacerda ocupam um palco nu, onde setas impressas no chão induzem direções. Desdobram um diálogo amoroso permeado de perda e descompasso. A imaginação do espectador é instigada a revestir a crueza dessa encenação, à medida que as falas sugerem imagens - como a de um homem e uma mulher - às quais a materialidade visível não corresponde, num atrito entre a artesania teatral e a ficção. O despossamento da ilusão se acirra por um mecanismo de inversão, que repete a trama com as vozes trocadas, confundindo mais as identidades, despregadas dos indivíduos corporificados. Essa segunda versão do diálogo intesifica os tons românticos, aproximando-se, pelas atuações e pela trilha sonora ...

Ronca o rancor

Princesa Ricardo (Marinelli) critica e escarnece da onda reacionária  }  Elenize Dezgeniski Provérbios, chavões, lugares-comuns, tanto faz, eles abundam na figura da Princesa Ricardo em “Das Tripas Coração”, arremedo de ópera-bufa em que o performer Ricardo Marinelli captura pela unha a narrativa reacionária que o Brasil nunca viu tão descarada. E dela escarnece apoiada nos vícios de linguagem. Funciona muito bem a analogia dos excessos diante da realidade transbordante, da virulência com que as vozes conservadoras perderam os pudores na desqualificação do diferente. A cena desossa o senso comum e abre outras portas para mostrar que os significados (das coisas, das vidas, das palavras) sofrem um desgaste sem precedentes no atual quadro sociopolítico. Texto-depoimento e ações podem soar literais ou desarmônicas, permitindo ao espectador um exercício permanente de verificar os anacronismos entre fala e expressão corporal que chamam ao pensamento crítico. Para essa figura...